
Identificando Problemas de Visão em Crianças
Com o início do ano letivo, o comportamento das crianças ao voltar da escola pode revelar problemas de visão que precisam de atenção. Sinais como queixas de dificuldade para enxergar a lousa, queda no rendimento escolar e até isolamento social podem estar relacionados a questões visuais. É fundamental que os responsáveis estejam atentos a esses sinais para evitar que a aprendizagem das crianças seja prejudicada.
De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 20% das crianças em idade escolar convivem com algum tipo de alteração visual. Quando não diagnosticadas precocemente, condições como miopia, astigmatismo, hipermetropia e estrabismo podem impactar não só o aprendizado, mas também o desenvolvimento sociocognitivo e emocional das crianças.
A oftalmologista clínica e cirúrgica Patrícia Kakizaki ressalta que o comportamento infantil é um dos principais indicadores de problemas de visão. Muitas vezes, as crianças não conseguem verbalizar que enxergam mal, acreditando que a forma como veem o mundo é a mesma para todos. Por isso, é essencial que os pais estejam atentos a algumas atitudes que podem indicar a necessidade do uso de óculos.
Sinais de Alerta
Entre os principais sinais de alerta que os pais devem observar, destacam-se:
- Dificuldade para acompanhar a leitura, incluindo troca, repetição ou “pulos” de palavras, além de confusão entre letras semelhantes;
- Desinteresse por atividades que exigem esforço visual, como leitura, desenho e tarefas escolares prolongadas;
- Queixas frequentes de dor de cabeça, especialmente após atividades que requerem concentração visual;
- Piscar excessivo ou esfregar os olhos com frequência, o que pode indicar fadiga visual;
- Aproximação excessiva do rosto em relação a livros, cadernos e telas, como televisão, computador, tablet ou celular;
- Dificuldade para copiar corretamente conteúdos da lousa, mesmo quando demonstra atenção em sala de aula;
- Desempenho abaixo do esperado em atividades esportivas e brincadeiras que exigem coordenação visual;
- Queda no rendimento escolar, muitas vezes interpretada como desatenção ou falta de interesse;
- Adoção de posturas compensatórias, como inclinar a cabeça ou apertar um dos olhos para enxergar melhor;
- Esbarrar em móveis ou tropeçar com frequência, indicando possível dificuldade de percepção espacial;
- Dificuldade para reconhecer pessoas ou objetos à distância;
- Insegurança ao explorar novos ambientes, evitando espaços desconhecidos;
- Tendência ao isolamento social, afastando-se de brincadeiras e atividades coletivas.
Importância do Acompanhamento Oftalmológico
A primeira consulta oftalmológica completa deve ocorrer entre seis meses e um ano de idade. Mesmo na ausência de sinais aparentes, o acompanhamento regular é fundamental para garantir o desenvolvimento visual adequado da criança e evitar impactos futuros no aprendizado e na qualidade de vida. A recomendação é que crianças e adolescentes realizem avaliações médicas periódicas, preferencialmente uma vez ao ano.
Miopia: Uma Preocupação Crescente
Dentre os problemas oftalmológicos que acometem as crianças, a miopia é um dos mais recorrentes. Um estudo do British Journal of Ophthalmology revela que uma em cada três crianças tem miopia ou dificuldades para ver de longe. O oftalmologista Luciano Azevedo Soter explica que a doença tem origem multifatorial, sendo a predisposição genética o fator mais relevante. Contudo, o estilo de vida também exerce uma influência direta na progressão do problema.
O contato excessivo com telas contribui para a piora da visão. Crianças que passam pouco tempo ao ar livre e muitas horas em atividades de visão de perto, como o uso contínuo de celulares e computadores, tendem a apresentar uma progressão mais rápida do grau de miopia. A exposição à luz natural, a prática de atividades ao ar livre e o estímulo da visão para longas distâncias são essenciais para o controle da progressão da miopia.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2050, metade da população mundial apresentará dificuldade para enxergar de longe. Isso representa cerca de 4,7 bilhões de pessoas. Dos casos de miopia, quase um bilhão deve desenvolver a chamada alta miopia, que é caracterizada por graus elevados, acima de cinco. Essa condição está associada a um risco significativamente maior de complicações oculares graves, como descolamento de retina, glaucoma, catarata e até perda definitiva da visão.
Considerações Finais
Estar atento aos sinais de problemas de visão nas crianças é crucial para assegurar um desenvolvimento saudável e um aprendizado eficaz. As consultas oftalmológicas regulares são uma ferramenta indispensável para detectar e tratar condições visuais precocemente, garantindo assim a qualidade de vida e o bem-estar dos pequenos. Ao perceber qualquer alteração no comportamento visual de seus filhos, não hesite em buscar a avaliação de um especialista.
Observação Importante: As informações aqui apresentadas não substituem a avaliação ou o acompanhamento profissional. Sempre consulte um médico ou especialista em saúde para orientações personalizadas.

